{"id":1389,"date":"2021-07-05T14:08:24","date_gmt":"2021-07-05T12:08:24","guid":{"rendered":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/?p=1389"},"modified":"2022-07-13T18:58:25","modified_gmt":"2022-07-13T16:58:25","slug":"interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/","title":{"rendered":"Entrevista a Victor Pereira: Emigra\u00e7\u00e3o portuguesa de 1954 a 1974."},"content":{"rendered":"<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Todos n\u00f3s temos algu\u00e9m \u00e0 nossa volta que vem de Portugal ou que tem origens portuguesas. Mas voc\u00ea realmente conhece a hist\u00f3ria dos imigrantes portugueses? Eu tamb\u00e9m tinha muitas perguntas. Nascido de pais portugueses, esta quest\u00e3o toca-me particularmente porque representa uma parte da minha hist\u00f3ria.<\/strong> <\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como parte do seu livro, <em>A ditadura de Salazar e a emigra\u00e7\u00e3o - O Estado portugu\u00eas e seus migrantes na Fran\u00e7a (1957-1974)<\/em>Victor Pereira, historiador e acad\u00e9mico, teve a amabilidade de responder \u00e0s minhas perguntas.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Porque \u00e9 que milhares de portugueses fugiram do seu pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1933, Portugal tem sido governado por Ant\u00f3nio Salazar atrav\u00e9s da<em>Estado Novo<\/em>. O l\u00edder portugu\u00eas, um fervoroso defensor do mercantilismo, exerceu o seu poder com punho de ferro. A partir dos anos 50, milhares de portugueses fugiram para Fran\u00e7a, na esperan\u00e7a de um futuro melhor.  A maioria deles pertencia \u00e0s classes trabalhadoras e foi condenada pelo determinismo social imposto pela ditadura. A Fran\u00e7a continuou sendo o destino ideal para fugir da pobreza elogiada pelo regime de Salazar. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es para esta emigra\u00e7\u00e3o - para Victor Pereira \"o facto de haver tantos portugueses que partem para Fran\u00e7a, e al\u00e9m disso, clandestinamente, atravessando a Espanha, atravessando os Pirin\u00e9us, a p\u00e9 com contrabandistas; foi porque em Portugal, as pessoas nem sempre tinham o suficiente para comer e viviam mal. Eles queriam ir para Fran\u00e7a para terem uma vida melhor para si e para os seus filhos. No entanto, para alguns deles, a emigra\u00e7\u00e3o era a \u00fanica forma de evitar o servi\u00e7o militar e a guerra colonial, que come\u00e7ou em 1961. Obrigat\u00f3ria para os jovens, esta guerra, desejada pelo governo para manter o imp\u00e9rio colonial, foi sofrida pela popula\u00e7\u00e3o portuguesa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, surge a quest\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a emigra\u00e7\u00e3o. \"Na verdade, \u00e9 uma quest\u00e3o que \u00e9 mais dif\u00edcil de decidir do que isso. Muitas vezes, opomo-nos \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Pessoas que partem para sobreviver, para ganhar a vida, e pessoas que partem porque s\u00e3o amea\u00e7adas de persegui\u00e7\u00e3o ou porque querem continuar as suas actividades pol\u00edticas. E as fronteiras entre os dois s\u00e3o muito mais dif\u00edceis de desenhar\", explica Victor Pereira. Na verdade, Salazar teme que os portugueses em Fran\u00e7a se tornem pol\u00edticos por causa do Partido Comunista e dos sindicatos. Por outro lado, os imigrantes n\u00e3o eram muito ativos na Fran\u00e7a por medo de repres\u00e1lias contra eles e suas fam\u00edlias no pa\u00eds de origem. No entanto, podemos dizer que uma minoria de homens e mulheres portugueses est\u00e1 em total desacordo com o regime sem pertencer a um movimento pol\u00edtico. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A mais antiga ditadura de direita da Europa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antigo professor de economia pol\u00edtica da Universidade de Coimbra, Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar entrou para a pol\u00edtica em 1910. Fervoroso defensor do conservadorismo rigoroso e do determinismo social, imp\u00f4s um regime autorit\u00e1rio em Portugal depois de chegar ao poder em 1932. Rejeitando a modernidade, o antiamericanismo e a retirada nacional, o Portugal de Salazar ofereceu uma vida prec\u00e1ria \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. Trabalhador e l\u00edder que concentrava o poder, ele quase nunca deixou o seu pa\u00eds ao qual se dedicava inteiramente. Victor Pereira confirma que \"para Antonio Salazar, o objetivo \u00e9 preservar a sociedade, e mud\u00e1-la o menos poss\u00edvel\". Da\u00ed esta defesa da agricultura contra a modernidade e a industrializa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a Coca-Cola n\u00e3o \u00e9 permitida em Portugal. As met\u00e1foras que s\u00e3o frequentemente usadas para falar sobre Salazar, \u00e9 falar sobre o rel\u00f3gio parado ou mesmo para parar o tempo, a fim de manter os valores religiosos. A justi\u00e7a social, como a entendemos hoje, n\u00e3o era uma preocupa\u00e7\u00e3o para o ditador. Para ele, na sociedade, h\u00e1 uma hierarquia. E as hierarquias devem ser respeitadas. Por isso, se voc\u00ea nasce numa fam\u00edlia pobre, voc\u00ea tem que aceitar. Havia uma express\u00e3o entre os salazaristas: um lugar para todos e todos t\u00eam o seu lugar\". Al\u00e9m disso, a repress\u00e3o foi instaurada pela PIDE (ex-PVDE), a pol\u00edcia estatal que reprimiu aqueles que se opunham ao regime.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como as greves e manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o proibidas e os sindicatos s\u00e3o controlados pelo regime, a \u00fanica forma de escapar a esta injusti\u00e7a social \u00e9 partir. A grande maioria dos emigrantes portugueses eram camponeses ou trabalhadores agr\u00edcolas que pagavam aos contrabandistas para irem para Fran\u00e7a. Salazar usou a propaganda para dissuadir sua popula\u00e7\u00e3o de sair e chegou ao ponto de aprovar um decreto em 1961, que tornou a emigra\u00e7\u00e3o clandestina um crime. Nesse mesmo ano, come\u00e7aram as guerras coloniais e o objetivo era evitar que os jovens fugissem do servi\u00e7o militar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"798\" height=\"588\" src=\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Capture-decran-2021-06-27-a-12.08.42.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1398\" srcset=\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Capture-decran-2021-06-27-a-12.08.42.png 798w, https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Capture-decran-2021-06-27-a-12.08.42-300x221.png 300w, https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Capture-decran-2021-06-27-a-12.08.42-768x566.png 768w, https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Capture-decran-2021-06-27-a-12.08.42-16x12.png 16w, https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Capture-decran-2021-06-27-a-12.08.42-600x442.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 798px) 100vw, 798px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A di\u00e1spora portuguesa em Fran\u00e7a&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades e da clandestinidade, os portugueses falam pouco da sua hist\u00f3ria. Eles s\u00e3o muitas vezes discretos e s\u00e3o conhecidos por trabalharem arduamente. Poucas pessoas compreendem a exist\u00eancia da comunidade portuguesa em Fran\u00e7a ou sabem como ela chegou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as aos arquivos e testemunhos, sabemos agora que muitos dos primeiros homens e mulheres portugueses chegaram a Fran\u00e7a por contrabandistas e se reuniram em favelas nos arredores das grandes cidades, principalmente na regi\u00e3o de Paris, mas tamb\u00e9m na Auvergne e no norte da Fran\u00e7a. Segundo Pereira: \"Para aqueles que vieram antes de 1964, tiveram que pagar aos contrabandistas pre\u00e7os extremamente altos. Eles tiveram que deixar Portugal escondido. Tiveram de atravessar os Piren\u00e9us, Espanha, em cami\u00f5es. E no caminho de volta dos Piren\u00e9us tiveram de atravessar os passes dos Piren\u00e9us a p\u00e9. E depois de terem atravessado tudo isso, para muitos deles viviam em favelas ou em pavilh\u00f5es onde havia dezenas de pessoas. E no in\u00edcio, como precisavam de regularizar a sua situa\u00e7\u00e3o, de ter pap\u00e9is, eram obrigados a aceitar empregos e a trabalhar muito. Eles trabalhavam 10, 11 horas por dia. Eles trabalhavam aos fins-de-semana. Para pagar as suas d\u00edvidas e para tentar poupar dinheiro. Assim, para a primeira gera\u00e7\u00e3o e a primeira a vir, especialmente as dos anos 60, as condi\u00e7\u00f5es de viagem e de vida na Fran\u00e7a eram particularmente dif\u00edceis. \"Estima-se que cerca de 900.000 portugueses emigraram entre 1957 e 1974.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, segundo v\u00e1rias fontes, a di\u00e1spora portuguesa (cidad\u00e3os portugueses, cidad\u00e3os naturalizados e descendentes) representa v\u00e1rias centenas de milhares de pessoas no mundo, incluindo um pouco mais de um milh\u00e3o em Fran\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para saber mais : <\/em><a href=\"https:\/\/www.pressesdesciencespo.fr\/fr\/book\/?gcoi=27246100932090\"><strong>A ditadura de Salazar e a emigra\u00e7\u00e3o - O Estado portugu\u00eas e seus migrantes na Fran\u00e7a 1957-1974<\/strong> de <em><strong>Victor Pereira<\/strong><\/em>na SciencePo- Les Presses&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>escrito por : <a href=\"https:\/\/monicaleite.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Monica Leite<\/a> <\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda a gente que conhecemos vem de Portugal ou tem origens portuguesas. Mas ser\u00e1 que conhece realmente a hist\u00f3ria dos imigrantes portugueses? Eu tamb\u00e9m tinha muitas d\u00favidas. Nascida de pais portugueses, esta quest\u00e3o interessa-me particularmente porque representa uma parte da minha hist\u00f3ria. No \u00e2mbito do seu livro, La [...]<\/p>","protected":false},"author":5,"featured_media":1397,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[129],"tags":[135],"class_list":["post-1389","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-histoire","tag-histoire"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Interview Victor Pereira : l&#039;\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974. - Kuiper<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Article de Monica Leite sur le travail d&#039;historien de Victor Pereira de l&#039;universit\u00e9 de Pau sur l&#039;emigration des portugais en France.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Interview Victor Pereira : l&#039;\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974. - Kuiper\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Article de Monica Leite sur le travail d&#039;historien de Victor Pereira de l&#039;universit\u00e9 de Pau sur l&#039;emigration des portugais en France.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Kuiper\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-07-05T12:08:24+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-07-13T16:58:25+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Victor-Pereira.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1008\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"756\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Monica Leite\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/Monica_Leite_\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Monica Leite\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"6 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/\",\"url\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/\",\"name\":\"Interview Victor Pereira : l'\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974. - Kuiper\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#website\"},\"datePublished\":\"2021-07-05T12:08:24+00:00\",\"dateModified\":\"2022-07-13T16:58:25+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#\/schema\/person\/84b76c2075a591d6adfaf2ef09c898b3\"},\"description\":\"Article de Monica Leite sur le travail d'historien de Victor Pereira de l'universit\u00e9 de Pau sur l'emigration des portugais en France.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Interview Victor Pereira : l&rsquo;\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974.\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#website\",\"url\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/\",\"name\":\"Kuiper\",\"description\":\"le blog de Lisbonne\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#\/schema\/person\/84b76c2075a591d6adfaf2ef09c898b3\",\"name\":\"Monica Leite\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/796781a39b13235651e2ea391e4eede7?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/796781a39b13235651e2ea391e4eede7?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Monica Leite\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.monicaleite.com\",\"https:\/\/www.instagram.com\/monica.leite.writer\/?hl=fr\",\"https:\/\/twitter.com\/https:\/\/twitter.com\/Monica_Leite_\"],\"url\":\"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/author\/monica_leite_writer_15\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Interview Victor Pereira : l'\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974. - Kuiper","description":"Article de Monica Leite sur le travail d'historien de Victor Pereira de l'universit\u00e9 de Pau sur l'emigration des portugais en France.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Interview Victor Pereira : l'\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974. - Kuiper","og_description":"Article de Monica Leite sur le travail d'historien de Victor Pereira de l'universit\u00e9 de Pau sur l'emigration des portugais en France.","og_url":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/","og_site_name":"Kuiper","article_published_time":"2021-07-05T12:08:24+00:00","article_modified_time":"2022-07-13T16:58:25+00:00","og_image":[{"width":1008,"height":756,"url":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Victor-Pereira.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Monica Leite","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/Monica_Leite_","twitter_misc":{"Escrito por":"Monica Leite","Tempo estimado de leitura":"6 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/","url":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/","name":"Interview Victor Pereira : l'\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974. - Kuiper","isPartOf":{"@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#website"},"datePublished":"2021-07-05T12:08:24+00:00","dateModified":"2022-07-13T16:58:25+00:00","author":{"@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#\/schema\/person\/84b76c2075a591d6adfaf2ef09c898b3"},"description":"Article de Monica Leite sur le travail d'historien de Victor Pereira de l'universit\u00e9 de Pau sur l'emigration des portugais en France.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/interview-victor-pereira-lemigration-portugaise-de-1954-a-1974\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Interview Victor Pereira : l&rsquo;\u00e9migration portugaise de 1954 \u00e0 1974."}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#website","url":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/","name":"Kuiper","description":"le blog de Lisbonne","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#\/schema\/person\/84b76c2075a591d6adfaf2ef09c898b3","name":"Monica Leite","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/es\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/796781a39b13235651e2ea391e4eede7?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/796781a39b13235651e2ea391e4eede7?s=96&d=mm&r=g","caption":"Monica Leite"},"sameAs":["https:\/\/www.monicaleite.com","https:\/\/www.instagram.com\/monica.leite.writer\/?hl=fr","https:\/\/twitter.com\/https:\/\/twitter.com\/Monica_Leite_"],"url":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/author\/monica_leite_writer_15\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1389"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1419,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1389\/revisions\/1419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}