{"id":2104,"date":"2023-03-19T13:45:54","date_gmt":"2023-03-19T12:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/?p=2104"},"modified":"2023-07-08T17:04:03","modified_gmt":"2023-07-08T15:04:03","slug":"interview-de-marc-terrisse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kuiper-lisbonne.com\/pt\/interview-de-marc-terrisse\/","title":{"rendered":"Entrevista Marc Terrice: A influ\u00eancia da epopeia mu\u00e7ulmana at\u00e9 hoje. \u00a0"},"content":{"rendered":"<p><strong>Quais s\u00e3o os vest\u00edgios da influ\u00eancia dos antigos califados na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e particularmente em Lisboa? Marc Terrisse, historiador e autor do livro: \"Lisboa na Cidade Mu\u00e7ulmana\" conta-nos alguns segredos hist\u00f3ricos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando decidiu escrever sobre a hist\u00f3ria mu\u00e7ulmana de Lisboa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Surgiu-me naturalmente no ano passado durante uma viagem a Lisboa em 2016. H\u00e1 muito tempo que n\u00e3o regressava a Lisboa, j\u00e1 deve ter sido h\u00e1 mais de dez anos. Tinha acabado de ler um livro de um colega chamado \"Lisboa na Cidade Negra\" de Jean-Yves Loude. E enquanto caminhava pela cidade, pensei que com todo este passado mu\u00e7ulmano, este passado isl\u00e2mico, merecia ser explorado em maior profundidade e ser-lhe dado maior destaque. Na cidade, excepto no castelo <em>S\u00e3o Jorge<\/em>H\u00e1 algumas escava\u00e7\u00f5es na catedral que n\u00e3o foram realmente promovidas, por isso pensei que \"h\u00e1 um trabalho a fazer para desenterrar tudo isto\"! H\u00e1 escava\u00e7\u00f5es na catedral que n\u00e3o foram realmente valorizadas, por isso disse a mim mesmo \"h\u00e1 trabalho a fazer para exumar tudo isto\"! tanto para o per\u00edodo isl\u00e2mico medieval, mas tamb\u00e9m para mostrar que havia rela\u00e7\u00f5es com o Pr\u00f3ximo Oriente. No meu livro, descrevo os interc\u00e2mbios entre a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e o mundo oriental, os diferentes povos como os venezianos e outros que contribu\u00edram para o nascimento de Portugal. Depois deste per\u00edodo isl\u00e2mico, a presen\u00e7a mu\u00e7ulmana n\u00e3o parou na altura da reconquista crist\u00e3 em 114, porque havia popula\u00e7\u00f5es que ficaram, e outras que chegaram com a expans\u00e3o portuguesa. Ent\u00e3o, ainda hoje, \u00e9 suficiente passear pelo distrito de <em>Mouraria<\/em>Podemos ver muito claramente uma pequena comunidade, que existe na cidade com a mesquita. Tamb\u00e9m quis lan\u00e7ar luz sobre o per\u00edodo contempor\u00e2neo, nos s\u00e9culos XIX, XX e XXI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lisboa \u00e9 uma cidade que conheceu antes de escrever este livro?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, eu conhecia Lisboa e Portugal. Gosto muito do pa\u00eds e da sua capital, penso que se pode senti-lo no livro. \u00c9 uma cidade fascinante e cativante que \u00e9, talvez, um pouco bem sucedida demais neste momento. Muitas pessoas de diferentes origens est\u00e3o hoje a mudar-se para a metr\u00f3pole, mas \u00e9 uma cidade que oferece uma certa qualidade de vida e o seu urbanismo faz-me lembrar o Oriente. Para mim, \u00e9 a cidade mais ocidental da Europa, porque est\u00e1 no extremo ocidental da Europa e, ao mesmo tempo, \u00e9 talvez a cidade mais oriental da Europa em termos de atmosfera, com uma certa indiferen\u00e7a. Isto contribuiu muito para a escrita deste livro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que envolve o seu trabalho como m\u00e9dico de hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de escrever, fazer investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, e ao longo do tempo especializei-me em museologia. Penso que isso se manifesta no meu estilo de escrita porque existe a ideia de baladas. Isto est\u00e1 muito ligado \u00e0 minha profiss\u00e3o, que \u00e9 a museologia, por isso a hist\u00f3ria dos museus. Sou investigador no CNRS, por isso escrevo artigos relacionados com museus e <em>bom ano mau ano<\/em> Tenho estado interessado nas minorias, quer sejam minorias \u00e9tnicas, minorias sociais ou minorias LGBT+, mas originalmente estava mais interessado nas minorias mu\u00e7ulmanas europeias. Portanto, este livro tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado com museologia porque estou interessado nas hist\u00f3rias das minorias na Europa e da minoria judaica e tudo est\u00e1 em parte relacionado. Trabalho sobre minorias africanas na Europa, e Lisboa tem um papel importante na hist\u00f3ria europeia das minorias africanas. Tamb\u00e9m estou interessado em trabalhar sobre minorias \u00e9tnicas, sociais e sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 um investigador aut\u00eantico, \u00e0 procura de momentos da hist\u00f3ria que tenham sido esquecidos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, exactamente, sobre momentos da hist\u00f3ria que n\u00e3o foram muito trabalhados, ou que foram esquecidos e que, por v\u00e1rias raz\u00f5es, por um discurso dominante bastante confort\u00e1vel, n\u00e3o foram exumados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lisboa \u00e9 uma cidade rica em hist\u00f3ria e cultura. A influ\u00eancia da epopeia mu\u00e7ulmana e do mundo oriental ainda est\u00e1 presente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, o mundo oriental est\u00e1 presente em Lisboa atrav\u00e9s de diferentes lugares. O Castelo de S\u00e3o Jorge, lugar emblem\u00e1tico da cidade que guarda na mem\u00f3ria a epopeia dos Mouros, tem um s\u00edtio arqueol\u00f3gico muito bem feito. Este castelo fortificado \u00e9 a antiga resid\u00eancia dos governadores de Lisboa, onde existia um casbah. Tem tamb\u00e9m sob a catedral os restos da mesquita, mesmo que n\u00e3o esteja muito bem desenvolvida. Mesmo ao lado da catedral, tem a pris\u00e3o <em>de Aljube<\/em> que \u00e9 agora um museu, <em>Aljube<\/em> sendo um nome de origem \u00e1rabe. Tamb\u00e9m tem os n\u00facleos arqueol\u00f3gicos que se encontram na baixa da cidade, <em>Baixa, <\/em>Neste distrito tem exemplos dos per\u00edodos veneziano, visigodo, mu\u00e7ulmano e g\u00f3tico. E depois tamb\u00e9m tem os nomes das ruas, dos distritos, <em>Alfama<\/em> por exemplo, \u00e9 um nome de origem \u00e1rabe, vem de \"masdar almiah\", a fonte de \u00e1gua, tamb\u00e9m o distrito <em>Alc\u00e2ntara<\/em> que vem de \"Al-qantara\" que significa ponte em \u00e1rabe. H\u00e1 muitos nomes de origem \u00e1rabe que permaneceram, bem como edif\u00edcios neo-mouriscos constru\u00eddos no s\u00e9culo XIX, na \u00e9poca de uma certa renascen\u00e7a, com a pra\u00e7a de touros de Lisboa em <em>Campo Pequeno<\/em>e a <em>casa do Alentejo<\/em>. E, claro, o <em>Mouraria<\/em>entre a pra\u00e7a <em>Martim Moniz<\/em> e o castelo <em>S\u00e3o Jorge<\/em>onde os mu\u00e7ulmanos permaneceram ap\u00f3s a reconquista. O <em>Mouraria<\/em>A cidade de S\u00e3o Petersburgo, nessa altura, era um munic\u00edpio mais ou menos sujeito ao poder real, mas que tinha um certo grau de autonomia, e depois perdeu a sua independ\u00eancia. Os habitantes viram-se de certa forma encerrados num gueto, especialmente a partir do s\u00e9culo XIV. Hoje em dia, em <em>Martim Moniz,<\/em> ainda tem uma popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana da \u00c1sia Central do Paquist\u00e3o, Bangladesh, que est\u00e1 muito presente nesta \u00e1rea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, pouco vis\u00edvel, vive aqui h\u00e1 muito tempo, pode ouvir-se falar marroquino, existem liga\u00e7\u00f5es entre Marrocos e Portugal, que s\u00e3o muito antigas. Na altura, os imp\u00e9rios mu\u00e7ulmanos, que inclu\u00edam Marrocos actual e uma grande parte do Magrebe, eram propriet\u00e1rios da maior parte da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, como o territ\u00f3rio de Al-Andalus, que esteve sob jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e1rabe de 711 a 1492. Os portugueses foram os primeiros europeus, com a captura de Ceuta em 1415, a criar col\u00f3nias e postos de com\u00e9rcio em Marrocos. Tinham uma constela\u00e7\u00e3o de postos de com\u00e9rcio na costa africana, incluindo o mais conhecido dos exploradores Fernand Magalh\u00e3es desde a \u00e9poca dos Grandes Descobrimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos s\u00e9culos, os la\u00e7os ancestrais entre os dois pa\u00edses t\u00eam crescido. Em 1578, o Sebastanismo, uma cren\u00e7a portuguesa, espera o regresso do jovem rei Sebasti\u00e3o I ao trono portugu\u00eas.<sup>er<\/sup>Esta \"batalha\" foi travada entre o novo sult\u00e3o marroquino e o antigo sult\u00e3o, que era aliado do rei portugu\u00eas D. Sebasti\u00e3o. Estabeleceu-se uma verdadeira interliga\u00e7\u00e3o entre as duas regi\u00f5es, quase uma comunidade de destino entre Portugal e Marrocos, celebrada nos anos 80 pelo Rei Hassan II e M\u00e1rio Soares, atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es culturais e em Marrocos, em Mazag\u00e3o, que \u00e9 o antigo nome portugu\u00eas da cidade de El Jabida, na costa central do territ\u00f3rio marroquino.  Algumas cidades marroquinas t\u00eam uma arquitetura portuguesa muito interessante, tendo-se estabelecido importantes la\u00e7os econ\u00f3micos. Este facto contribui tamb\u00e9m para o ambiente luso-oriental que se vive em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>E depois h\u00e1 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de <em>Mouros<\/em> (Mouros), uma hist\u00f3ria diferente da espanhola, as popula\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas permaneceram ap\u00f3s a reconquista. Em Portugal, isto tem um significado diferente, porque a <em>Mouros<\/em> s\u00e3o escravos marroquinos que foram trazidos principalmente pelos postos de com\u00e9rcio nos s\u00e9culos XV e XVI. Havia muitos deles em Lisboa, mas nem todos eram escravos, havia tamb\u00e9m nobres marroquinos que tinham apoiado Don Sebastian, pelo que foram for\u00e7ados a deixar Marrocos e estabelecer-se em Lisboa, mas eu n\u00e3o quero dar tudo, vou falar sobre isso no meu livro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gostei muito da forma como d\u00e1 vida \u00e0 hist\u00f3ria no seu livro. Percorre Lisboa, descreve os monumentos, a hist\u00f3ria dos bairros e partilha os seus encontros. \u00c9 esta a sua forma de contar a hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Absolutamente, eu tinha feito uma apresenta\u00e7\u00e3o numa livraria em Paris, e a pessoa que me tinha entrevistado tamb\u00e9m tinha uma excelente compreens\u00e3o, e n\u00e3o poderia ter encontrado palavras melhores para descrever um pouco a forma como o fiz. Ela disse que era como um caderno de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao ar livre. Mostrou como um investigador em ci\u00eancia humana, um investigador multidisciplinar, pode abordar um assunto da hist\u00f3ria, antropologia, geografia, etnologia, museologia. H\u00e1 tamb\u00e9m muitas coisas como a sociologia. Assim, a ideia para a constru\u00e7\u00e3o do livro \u00e9 que tudo \u00e9 de origem, tanto os monumentos como as pessoas. A oralidade \u00e9 interessante, assim como os encontros e, claro, as fontes mais cl\u00e1ssicas ligadas \u00e0 palavra escrita ou outras fontes que consultei. Tudo se torna uma fonte e tudo ajuda a produzir um discurso. Atrav\u00e9s da balada, tentei tornar a leitura agrad\u00e1vel, como se eu fosse o leitor e ele estivesse a viver a investiga\u00e7\u00e3o comigo. Uma investiga\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia humana com pistas, cada vez que nos movemos pelas ruas de Lisboa, o que \u00e9 bastante agrad\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Se conhece um pouco Lisboa, \u00e9 muito agrad\u00e1vel, \u00e9 como caminhar pela cidade consigo e pode reconhecer os lugares que descreve muito bem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser\u00e1 que as rotas comerciais do Magrebe via Gibraltar para as terras lus\u00f3fonas trouxeram compet\u00eancias ou t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o \u00fanicas?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estilo arquitect\u00f3nico portugu\u00eas, a arte manuelina, que \u00e9 flamboyant g\u00f3tico, tira os seus c\u00f3digos estil\u00edsticos em parte da arte isl\u00e2mica. Em Lisboa, tem o mosteiro dos Hieronimitas e a torre de <em>Bel\u00e9m<\/em> que est\u00e3o no estilo manuelino. A semelhan\u00e7a com a arquitectura oriental \u00e9 evidente no estilo, e isto \u00e9 ainda mais verdadeiro no sul de Portugal, na regi\u00e3o de <em>o Alentejo<\/em> e <em>o Algarve<\/em>especialmente em <em>o Alentejo<\/em> onde, na realidade, se tem as artes obsoletas, as artes isl\u00e2micas que est\u00e3o no estilo manuelino. Isto tamb\u00e9m pode ser sentido em Lisboa atrav\u00e9s de v\u00e1rias constru\u00e7\u00f5es. De facto, h\u00e1 estes artes\u00e3os que permanecem no local, que transmitir\u00e3o t\u00e9cnicas que ser\u00e3o retomadas mais tarde pelos artes\u00e3os portugueses. Isto \u00e9 tipicamente visto nas artes manuais, mas tamb\u00e9m h\u00e1 outras coisas, como o patrim\u00f3nio, por exemplo, atrav\u00e9s dos pequenos of\u00edcios que agora desapareceram de Lisboa. Mas ainda se podia ver em Lisboa na primeira metade do s\u00e9culo XX, e mesmo nos anos 70, pequenos of\u00edcios que correspondiam muito ao que se encontraria nos souks, tais como os vendedores ambulantes. \u00c9 bastante \u00f3bvio, existem gravuras e fotografias que mostram estes of\u00edcios, estes artistas que permanecer\u00e3o na cidade, e que influenciar\u00e3o de alguma forma a cultura portuguesa. Podemos falar de uma cultura luso-isl\u00e2mica a longo prazo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pode contar-nos uma hist\u00f3ria sobre um Califado em Portugal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, h\u00e1 muitas lendas. Quando o reino do califado Omeiad de C\u00f3rdova se separou, v\u00e1rios principados chamaram <em>taifa<\/em> foram criadas sob esta divis\u00e3o. Mas Lisboa nunca conseguiu ter a sua pr\u00f3pria <em>taifa<\/em>. Lisboa nunca foi um principado independente.  Esteve sempre sob o controlo de Sevilha ou Badajoz, mas a certa altura tem o Emir de Sarago\u00e7a que veio para se estabelecer em Lisboa. Ele trouxe muitos intelectuais, poetas, artistas da \u00e9poca, que criaram uma pequena corte, que teve uma vida muito curta em meados do s\u00e9culo XI. Mas no entanto, Lisboa, nessa altura, teve uma certa influ\u00eancia. Em Portugal, cerca de <em>Beja<\/em> e <em>Medoura<\/em> \u00e9 a\u00ed que vai haver <em>Taifas<\/em>Estes s\u00e3o principados, porque s\u00e3o cidades que s\u00e3o um pouco mais importantes do que Lisboa na era mu\u00e7ulmana, do ponto de vista cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para as anedotas, na verdade, h\u00e1 mais lendas com princesas mouras que ficaram ap\u00f3s a reconquista. Como F\u00e1tima, por exemplo, \u00e9 tipicamente uma princesa moura que foi raptada por um fidalgo crist\u00e3o. Casaram-se, por isso ela mudou o seu nome. Foi chamada Oriane em franc\u00eas, em portugu\u00eas deve ser Our\u00e9ana. Ent\u00e3o, para prestar homenagem a esta F\u00e1tima que se tornou Our\u00e9ana, a localidade da \u00e9poca tomou o nome de F\u00e1tima, que se tornou agora um lugar alto do cristianismo. As teorias antropol\u00f3gicas dizem que F\u00e1tima \u00e9 na realidade a extens\u00e3o de um culto mu\u00e7ulmano dedicado \u00e0 filha do profeta Maom\u00e9. Assim, F\u00e1tima \u00e9 uma esp\u00e9cie de sincretismo com a religi\u00e3o crist\u00e3 com Maria e F\u00e1tima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois tem outras lendas mouriscas, como a princesa Sal\u00faquia, uma jovem moura que se vai casar, mas a sua companheira vai para a selva, n\u00e3o sabemos realmente porqu\u00ea. E depois \u00e9 morta pelos crist\u00e3os que lhe tiram a apar\u00eancia. Sal\u00faquia est\u00e1 no topo da torre, ela observa a sua chegada e v\u00ea estas personagens disfar\u00e7adas, pensa que \u00e9 o seu marido e abre as portas, s\u00f3 para se aperceber tarde demais de que \u00e9 um engano. Eles massacram a popula\u00e7\u00e3o. Ela atira-se da torre. Ent\u00e3o a localidade, para prestar homenagem a esta lenda, d\u00e1 o nome de Moura, moura em franc\u00eas, a esta cidade que est\u00e1 no Alentejo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra lenda, no Algarve tem uma princesa moura que uma noite pede aos homens que se casem com ela para que ela possa regressar ao Magrebe, onde a sua fam\u00edlia foi massacrada. Para estar em paz, ela gostaria de voltar para l\u00e1. H\u00e1 muitas lendas na regi\u00e3o de Lisboa. Talvez este seja o pr\u00f3ximo livro, todas estas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lisboa tem o mesmo ritmo de vida que outra cidade sob o califado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a import\u00e2ncia de Lisboa para os Umayyads, uma dinastia origin\u00e1ria da S\u00edria, e mais tarde para os outros mestres dos lugares mu\u00e7ulmanos, foi a sua import\u00e2ncia comercial. N\u00e3o era um verdadeiro capital intelectual, excepto durante um curto interl\u00fadio que mencionei anteriormente, mas era sobretudo uma cidade comercial que servia de base para certas expedi\u00e7\u00f5es extra-mar\u00edtimas - como era o caso na altura da expedi\u00e7\u00e3o com os reis portugueses. Era uma cidade bastante grande, os n\u00fameros s\u00e3o sempre aleat\u00f3rios, n\u00e3o t\u00e3o grandes como Sevilha ou provavelmente Beja, mas ainda assim uma cidade bastante importante ao n\u00edvel do Gharb al Andalus (a regi\u00e3o que abrangia Lisboa), prezada pela sua import\u00e2ncia comercial e mar\u00edtima essencialmente. Foi integrada nesta rede de cidades da Andaluzia ocidental, ap\u00f3s a conquista moura, Lisboa passou a chamar-se al-Ushbuna \u0644\u0634\u0628\u0648\u0646\u0629 e tamb\u00e9m al-Lixb\u00fbn\u00e2 \u0627\u0644\u064a\u0643\u0633\u0628\u0648\u0646\u0627 que deu a Lisboa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua pr\u00f3xima pesquisa e livro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tenho um livro sobre Portugal que vai ser publicado pela Cosmopole. Neste livro, n\u00e3o falo apenas do passado isl\u00e2mico, falo tamb\u00e9m do passado judaico, do africanismo portugu\u00eas, ... \u00c9 um ensaio de viagem que me fez querer ir a Portugal. Ser\u00e1 publicado na Primavera de 2023 por Cosmopole, convido-o tamb\u00e9m a ler o dicion\u00e1rio invulgar de Lisboa, \u00e9 muito agrad\u00e1vel. Cosmopole est\u00e1 a fazer uma nova colec\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 lan\u00e7ada na primavera. Tenho outro livro que sair\u00e1 talvez em Novembro, sobre Nova Iorque, intitulado \"New York Portrait of an Arab City\" (Retrato de Nova Iorque de uma cidade \u00e1rabe). \u00c9 sobre os \u00e1rabes que foram a Nova Iorque, especialmente os s\u00edrio-libaneses do s\u00e9culo XIX ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX (incluindo Gibran Khalil Gibran, o escritor de O Profeta, que escreveu em ingl\u00eas, a prop\u00f3sito), sobre a di\u00e1spora s\u00edrio-libanesa, sobre os s\u00edrios e libaneses que foram a Nova Iorque do final do s\u00e9culo XIX \u00e0 Segunda Guerra Mundial, e tamb\u00e9m sobre os palestinianos e iemenitas e outras comunidades que participaram na vida intelectual de Nova Iorque de v\u00e1rias maneiras. Conto a hist\u00f3ria destes expatriados no mesmo modelo narrativo que \"Lisboa na Cidade Mu\u00e7ulmana\", mas isto tem lugar em Nova Iorque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/editionschandeigne.fr\/livre\/lisbonne-dans-la-ville-musulmane\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Marc Terrisse: Lisboa, na cidade mu\u00e7ulmana das edi\u00e7\u00f5es de Chandeigne.<\/em><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quelles sont encore aujourd&rsquo;hui les traces de l&rsquo;influence des anciens Califats sur la p\u00e9ninsule ib\u00e9rique et particuli\u00e8rement \u00e0 Lisbonne ?&nbsp;Marc Terrisse, historien et auteur du livre :&nbsp;\u00ab\u00a0Lisbonne dans la ville musulman\u00a0\u00bb nous raconte des secrets historiques. Quand avez-vous d\u00e9cid\u00e9 d\u2019\u00e9crire sur l\u2019histoire musulmane de Lisbonne ? 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